O amor vem da África
O respeito vem da mata
Contos inspirados nas tribos raízes da cultura brasileira
Leila
Miana
O mundo nasceu na África?...
Antes de o mundo ser como ele é hoje, todos continentes eram
grudadinhos. Na verdade, era um continente só, cercado por um oceano só. Como
se fosse uma única ilha gigante.
Uma antiga lenda africana conta como isso mudou. Foi quando
uma jovem trabalhava ajudando sua mãe com os afazeres de sua cabana. Ela sempre
ajudava muito, na horta, com os bichos, na mata e em tudo que fosse preciso.
Às vezes, a moça tinha que passar o dia inteiro a pilar
inhame. E ela achava aquilo muito chato, fazia numa má vontade que só vendo,
mas fazia sem reclamar. Um dia, muito distraída, perdeu o controle do movimento
que repetia sem parar e a sua mão escorregou do pilão.
O pilão era muito pesado e quando ele caiu, bateu tão forte
no chão... Espatifou o mundo. O chão começou a rachar lentamente e a jovem não
entendia nada.
O que fazer? Sair correndo ou começar a chorar? Mas as
rachaduras aumentavam muito rápido e ela não teve escolha: sentou em um pedaço
do chão e chorou muito.
Aos poucos aquele grande continente que antes era um só,
começou a dividir em seis.
As lágrimas da moça escorriam entre as rachaduras e fizeram
nascer os rios, que logo foram se juntar ao mar.
Ah... E o mar? Que antes era um só, agora se multiplicou em
vários oceanos, formando um novo mundo: vários continentes, vários mares. Tudo
mudou e a moça chorava.
Resolveu correr desesperadamente para se desculpar com sua
mãe. Que há esta hora já voltava calmamente para cabana e encontrou a filha no
meio do caminho.
Foi uma surpresa para a jovem quando encontrou a mãe sorrindo
calmamente. E ela ali, extremamente aflita:
-
Mãe! Eu destruí tudo!
-
Calma filha, você criou um novo mundo!
A
mãe sorriu e explicou para a moça que não conseguia compreender tanta calma...
- Nada acontece por
acaso e tudo pode ter outro ponto de vista. Você, minha filha, estava
trabalhando distraída e isto não pode acontecer nunca. O trabalho deve ser
levado a sério.
Contudo tenha calma.
Olha que maravilha que tudo isto virou. As coisas vão ser diferentes agora.
-
Diferente não é bom! – reclama a menina.
-
Por que não? Diferente é excelente. Nós duas somos diferentes e nos amamos
muito.
A
menina compreendeu o que a mãe queria dizer. As lágrimas secaram e seu coração
acalmou. Pegou uma cuia, encheu com a água do rio e tomou um gole de suas
lágrimas. Sentiu ali que criou mesmo um novo mundo.
Mas
a mãe lembrou:
-
Agora as coisas são diferentes e tudo mais distante. Para que tudo corra bem,
devemos lembrar todos os dias de respeitar todas estas diferenças, que serão
cada vez maiores.
-
Vai ser difícil, não é mãe?
-
Sim, nunca será fácil. Respeitar diferenças é muito difícil, pois é aceitar que
mesmo não sendo igual a você, o outro é muito interessante e pode te fazer
feliz!
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