quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Pedagogia Empreendedora


 Empreendedorismo pode ser definido como uma metodologia de geração de riqueza e, também, de desenvolvimento social. O individuo empreendedor é um ser pró-ativo, capaz de criar e tomar iniciativas favoráveis a si e aos outros. O empreendedor pode engrandecer toda sociedade ou apenas ir em busca de seu crescimento financeiro e social. Uma sociedade empreendedora, onde vários setores alcançam crescimentos, provavelmente será uma sociedade capaz de ampliar suas captações de recursos.

  Quando Fernando Dolabela expõe os fatos que geraram a Pedagogia Empreendedora, ele ressalta os problemas sociais presentes na realidade brasileira como impulsores desta iniciativa. A metodologia foi desenvolvida ao relacionar empreendedorismo com desenvolvimento sustentável, o consultor idealizou que para ter cidadãos empreendedores, precisava ter jovens empreendedores e para moldar jovens, a melhor opção seria agregar o valor do empreendedorismo nas concepções da Educação Básica.

  A Pedagogia Empreendedora não tem como principio educar empresários, mas o espírito empreendedor pode ser disseminado em todas as áreas do sistema social. O intuito desta Pedagogia é de inspirar seres empreendedores no seu jeito de ser, formando cidadãos autônomos, capazes de empreender e modificar suas próprias vidas. A expansão dos conceitos empreendedoristas como método de valorização do ser pode gerar uma sociedade mais democrática, de acordo com a fala do próprio elaborador da Pedagogia Empreendedora, que tem como foco final a comunidade:

 

“Porém, trabalha-se o individuo por que, dentro da Pedagogia Empreendedora, o empreendedor é um individuo que gera utilidade para os outros, que gera valor positivo para sua comunidade. Assim procura-se desenvolver as comunidades através das pessoas” (p.128)

 

  As propostas da Pedagogia Empreendedora começaram a ser criadas em 1999 e foram elaboradas durante três anos. A entrevista analisada foi concedida em 2004, pouco tempo após o inicio da execução desta metodologia, contudo já apresentava números significativos de aplicação. As primeiras crianças e profissionais envolvidos começavam a conhecer aquela aplicação e não sabiam os resultados que estas mudanças poderiam alcançar.

  Estamos em 2013, nove anos após a entrevista de Dolabela, e ao analisarmos o cenário educacional atual é perceptível que pouca coisa mudou. Porém, mudou. Dentro deste universo ainda esbarramos com pouca infra-estrutura, baixos salários e concepções de ensino duvidosas, contudo, em alguns locais (mesmo sendo estes, pontos espalhados pelo país) encontram-se adolescentes diferenciados, pró-ativos e empreendedores, diferente do perfil de um adolescente de uma década atras.

  O adolescente de hoje era uma criança quando esta Pedagogia começou a ser implementada. Vários jovens de agora foram influenciados pelas ideologias empreendedoras ou por respingos dela, assim como diversos educadores vem se alimentando destes métodos ao longo destes anos. Muita coisa tem mudado, o Mundo é diferente e os adolescentes possuem perfil mais ativo e são mais informados, podendo saber mais e mais rápido que o adolescente do passado. E eles conseguem acesso as estas informações de forma mais ampla e abrangente através das mais diversas inovações que vem surgindo neste período também. Assim como a pedagogia, diversos setores sociais vem se modificando, apresentando este perfil empreendedor e dinâmico em toda sociedade.

  Se o jovem de hoje é mais apto a receber informações e vem sendo moldado para ser empreendedor, acredita-se que são jovens capazes de mobilizar ações que possam enriquecer e valorizar suas comunidades. A educação é a base da sociedade, o que o aprendiz absorve durante sua fase escolar é o que ele vai levar para sua vida adulta e, consequentemente, como ele vai proceder diante suas relações sociais.

  Analisando a escola, podemos dizer então que ela nada mais é que o meio pelo qual molda-se pessoas para o amanhã, ou seja, educa-se da maneira como se espera que o aluno se porte socialmente em cerca de 10 anos. Já formaram senhores e escravos, já modelaram líderes e subalternos, já ensinaram que deve-se ser uma pessoa crítica (mesmo sem saber o porque criticar), atualmente estamos ensinando a serem empreendedores no jeito de ser, induzindo a criação de novas possibilidades e transmitindo confiança para que que os discentes sintam-se aptos a tomarem iniciativas que favoreçam o seu querer.

  A educação é o investimento para o futuro e a Pedagogia Empreendedora, assim como outras pedagogias, tem o intuito de educar para o Mercado de Trabalho, em busca do equilíbrio no Sistema Social. Entretanto, pelos seus princípios, transforma o aluno em protagonista da sua realidade, é ele responsável tanto pelo seu sucesso como pelo seu fracasso.

  Cabe ressaltar que realmente seria gratificante se o espírito empreendedor fosse voltado apenas para o bem coletivo. Talvez se o Estado executasse suas obrigações com excelência e apenas cumprisse com suas reais competências, o empreendedorismo funcionaria de acordo com seu foco principal, idealizado há onze anos atrás. Podendo influenciar positivamente uma democratização do Sistema.

  Assim como Dolabela mencionou em sua entrevista, não é possível ter grandes esperanças ao averiguar o cenário da Educação Brasileira. Mesmo dez anos após o comentário do professor, fica nítido que o presente da nossa situação escolar não deixa esperançoso o futuro da nação.

REFERENCIA:
- entrevista de Fernando Dolabela sobre Pedagogia Empreendedora 
- EMPREENDEDORISMO E EDUCAÇÃO: PROBLEMATIZANDO INTENTOS E RESULTADOS de Geórgia Cea

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