quinta-feira, 1 de março de 2012

Formando adultos



Desde que o mundo é mundo, adulto é adulto e criança é criança. Certo? Não. O conceito de criança foi sendo elaborado através das modificações sociais que vivenciamos.
Dalla Vale, em seu livro Fundamentos da Educação Infantil (Fael, 2010) ressalta que “ao longo do séculos, as sociedades foram construindo formas de educar suas crianças” e assim de classificá-las perante a sociedade que estão inseridas. Ou seja, o conceito de infância vem sendo definido de acordo com o momento histórico em que é pesquisado, pois:

“Sabemos que a história da criança é registrada a partir do olhar dos adultos,pois a criança não pode registrar sua própria história. [...] A visão sobre a infância, atualmente, como um período específico pelo qual todos passam é uma construção definida no momento presente. A questão de que todos os indivíduos nascem bebês e serão crianças até um determinado período, independente da condição vivida, é inegável, entretanto, tal premissa nem sempre foi percebida dessa maneira e por diversos períodos se questionou qual era o tempo da infância e quem era a criança.” (Rocha, p.52)

Muitos classificam crianças por faixa etária ou fases de aproximação de interesses, contudo, até nos dias contemporâneos esbarramos nas dificuldades de realmente definir a infância.  
Aliás, o termo infância surge do francês “enfant” que significa “não falante”, sendo assim a criança é excluída do meio social, pois lhe é atribuído o adjetivo da incapacidade de se comunicar. A sociedade não engloba a criança como ser social que é, mas como um ser paralelo, onde em um mesmo mundo, vivemos dois: o Mundo dos Adultos e o Infantil.
As crianças passam a infância se modelando para a vida adulta, mas os adultos se esquecem disso e segregam a sociedade com padrões de comportamento para crianças diferenciados e excludentes do universo adulto. O erro mais comum no universo pedagógico é esta impossível segregação entre adultos e crianças, como se os pequenos não possuíssem vontades e atitudes, como se possível separar o passado do adulto do seu presente.
Simples assim: crianças não são diferentes do que adultos, são apenas o passado destes. Porque esquecemos disso? Esquecemos que é possível englobar o conceito de criança cotidianamente, que devemos lembrar e reforçar que estão inseridas no meio social.


Mas para desfazermos este mal entendido, algumas questões sociais devem ser repensadas e reformuladas. Partiremos então do ambiente mais influente no período de desenvolvimento de personalidade: escola.
A origem da palavra Educação (Educar + Ação) induz a modelar as atitudes dos indivíduos, ao longo do tempo criamos adultos incapazes de respeitar aos outros, como um irmão. O desvio de caráter dos futuros adultos ocorre quando não nos preocupamos em abordar as crianças como seres humanos em desenvolvimento.
A Educação contemporânea transforma sujeitos sociais em competidores entre si, que sempre disputam espaço e atenção em vez de focar no desenvolvimento do bem-comum.
Falta compreender o universo da criança como o ser que ela é, até mesmo professores e demais adultos do universo escolar, se esquecem que crianças são seres sociais em desenvolvimento. Esquecem que é a infância que vai moldar a vida adulta deste ser.
Lidando com a criança desta maneira, muitas vezes pensamos “é apenas uma criança, não entende isso ainda". Erro, pois crianças entendem e aprendem tudo, desde o primeiro estimulo que recebem em vida. Como diria Dorothy Law: “Crianças aprendem o que vivenciam.” Alias, #ficaadica ....
Os pequenos podem não responder e manter aquela cara blasé de que o mundo é completamente cor de rosa, mas dentro do seu pequeno arquivo-cérebro absorvem tudo que vivenciam e aos poucos demonstram não o que aprenderam ouvindo dos adultos, mas o que compreenderam do mundo que lhes foi apresentado por eles e no que é vivido por elas. 
Confio no poder do lúdico na formação de personalidade adulta, mas não segrego a criança do convívio humano. É na infância que aprendemos a socializar. Que devemos aprender a respeitar o próximo, enfrentar diversas dificuldades e como lidar com perdas e ganhos.

Leila Miana
01/03/2012
Oke arô! 



Fontes:
Fundamentos da Educação Infantil
Dalla Valle, Luciana de Luca – Curitiba: Editora Fael, 2010

HISTÓRIA DA INFÂNCIA: REFLEXÕES ACERCA DE ALGUMAS
CONCEPÇÕES CORRENTES
Rita de Cássia Luiz da Rocha
UNICENTRO, Guarapuava-Paraná

AS CRIANÇAS APRENDEM O QUE VIVENCIAM





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